Trago-vos hoje um dos erros mais comuns no português falado. Deve dizer-se:
«Ele interviu na discussão» OU «Ele interveio na discussão»?
Apesar de se ouvir com frequência «interviu», esta está errada. «Intervir» tem a sua origem no verbo «vir» e não no verbo «ver». Por esta razão, deve dizer-se «veio» e não «viu». De igual modo, «interveio» está correto e «interviu» errado.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
terça-feira, 29 de setembro de 2015
Atenção ao Português - Particípios Passados Duplos
O verbo matar tem dois particípios passados. Um regular - matado - e outro irregular - morto.
O regular é utilizado com os auxiliares ter e haver, e.g.:
Pensei que tinha matado o animal.
O irregular é utilizado com os auxiliares ser e estar, e.g.:
O animal foi morto.
O mesmo se passa com várias outros verbos, e.g.:
Foi ótimo ter vagado um lugar. & Ainda bem que o lugar estava vago.
Tê-lo imprimido foi o melhor que fizemos & O documento foi impresso.
Depois de terem elegido o partido A, tudo ficou melhor. & O partido A foi eleito por maioria.
Haviam ganhado todos os troféus da época. & Todos os troféus da época foram ganhos por eles.
Mais exemplos: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/verbos-com-participio-passado-duplo-ii/12951
O regular é utilizado com os auxiliares ter e haver, e.g.:
Pensei que tinha matado o animal.
O irregular é utilizado com os auxiliares ser e estar, e.g.:
O animal foi morto.
O mesmo se passa com várias outros verbos, e.g.:
Foi ótimo ter vagado um lugar. & Ainda bem que o lugar estava vago.
Tê-lo imprimido foi o melhor que fizemos & O documento foi impresso.
Depois de terem elegido o partido A, tudo ficou melhor. & O partido A foi eleito por maioria.
Haviam ganhado todos os troféus da época. & Todos os troféus da época foram ganhos por eles.
Mais exemplos: https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/verbos-com-participio-passado-duplo-ii/12951
segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Atenção ao Português - «Ovelha ranhosa?»
Começaremos com a tão conhecida expressão «ovelha ranhosa». Deve dizer-se «ovelha ronhosa» e não «ovelha ranhosa», como muitas
vezes de ouve. Ronhosa vem de ronha que é uma doença parecida com sarna que
ataca algumas ovelhas. A expressão «ranhosa» é utilizada por confusão com a palavra «ranho».
sábado, 19 de setembro de 2015
Sim, vou votar na Coligação PSD/CDS
Não faz o meu género, mas, dadas as circunstâncias, vou, pela primeira vez, assumir uma preferência política concreta, justificando-a nas suas linhas gerais.
Na maior parte dos assuntos não sou de direita - especialmente quando toca a privatizar tudo aquilo que mexe - mas seguramente não sou de extrema-esquerda - confesso uma intolerância quase patológica relativamente a sindicatos irresponsáveis e inconsequentes. Olhando para o espectro partidário nacional, o PS parece ser, à primeira vista, aquele de que sou ideologicamente mais próximo. Contudo, é o partido do qual me sinto mais distante. Porquê? Numa palavra: confiança! Falta dela, mais exatamente.
É evidente e inegável que este governo cometeu muitos erros, mais que discutidos e reconhecidos - os casos Relvas, a demissão irrevogável de Portas e a má orgânica do governo - todos corrigidos a tempo de males maiores - a submissa política externa, a péssima comunicação, entre muitos outros, porventura não menos graves. Mas tendo cometido erros, há razões que me fazem ter a fortíssima convicção de que votar na coligação PSD/CDS é a melhor forma de proteger o futuro de Portugal no seu médio-longo prazo. Principais razões:
Os mais críticos focam-se sobretudo na austeridade. Se austeridade significa gastarmos aquilo que temos, contam comigo. Não é por aí que o país não cresce. Reduzir o défice é reduzir a dívida, reduzir a dívida é reduzir os juros, reduzir os juros é aumentar a nossa margem para investir em Saúde, Educação e Segurança Social. O contrário é demagogia ou saída do euro (opção inteiramente respeitável).
Quanto ao PS, assinou o pacto orçamental da União Europeia, ao mesmo tempo que prometeu tudo e mais alguma coisa em termos de aumento de despesa e diminuição de receita. Se o cumprisse seria o desastre e seríamos a nova Grécia - com a agravante de termos um endividamento privado muito superior aos nossos congéneres gregos. Se não o cumprisse, seria um governo completamente descredibilizado.
Levaram-nos ao resgate, negociaram o memorando com a troika, para poucos meses depois rasgarem o acordo. Mais recentemente, assinaram o acordo de descida do IRC para dar estabilidade fiscal e previsibilidade às empresas junto com os partidos da maioria para meses depois o rasgarem.
Em suma, não há adesão à realidade nem previsibilidade. Chega de demagogia, chega de propostas vãs, chega de "Zorrinhos", de "Galambas" e "Ferros". Só há uma forma de impedir que a corja do "Sócrates" regresse.
Está nas nossas mãos contribuir para uma revolução interna no PS que necessariamente se seguirá a uma derrota nestas legislativas, de tal modo que em 2019 corporize uma alternativa credível.
Na maior parte dos assuntos não sou de direita - especialmente quando toca a privatizar tudo aquilo que mexe - mas seguramente não sou de extrema-esquerda - confesso uma intolerância quase patológica relativamente a sindicatos irresponsáveis e inconsequentes. Olhando para o espectro partidário nacional, o PS parece ser, à primeira vista, aquele de que sou ideologicamente mais próximo. Contudo, é o partido do qual me sinto mais distante. Porquê? Numa palavra: confiança! Falta dela, mais exatamente.
É evidente e inegável que este governo cometeu muitos erros, mais que discutidos e reconhecidos - os casos Relvas, a demissão irrevogável de Portas e a má orgânica do governo - todos corrigidos a tempo de males maiores - a submissa política externa, a péssima comunicação, entre muitos outros, porventura não menos graves. Mas tendo cometido erros, há razões que me fazem ter a fortíssima convicção de que votar na coligação PSD/CDS é a melhor forma de proteger o futuro de Portugal no seu médio-longo prazo. Principais razões:
- Primeiro governo de coligação a chegar ao fim de uma legislatura em Portugal, o que revela responsabilidade e espírito de compromisso;
- Uma balança externa positiva, algo que não acontecia há 70 anos no nosso país. Este indicador é o principal e revela que nos tornámos um país sustentável a longo prazo;
- Exportações a +40% PIB num período de estagnação dos nossos principais mercados externos. Com as economias a crescer e financiamento barato, tínhamos -30% PIB em exportações com o PS;
- O fim das PPP (pelo menos não assinaram mais) e renegociaram algumas. Foi pouco poderão dizer, mas fizeram e os outros falaram;
- O fim dos grandes investimentos públicos, sobretudo em estradas;
- A economia estar a crescer, o investimento a aumentar, o emprego a crescer e o desemprego a retrair de forma constante há 2 anos - dados objetivos e indesmentíveis;
- O Primeiro-ministro ter uma atitude sóbria e ponderada e ser verdadeiro na sua relação com os portugueses - a antítese do seu antecessor.
Os mais críticos focam-se sobretudo na austeridade. Se austeridade significa gastarmos aquilo que temos, contam comigo. Não é por aí que o país não cresce. Reduzir o défice é reduzir a dívida, reduzir a dívida é reduzir os juros, reduzir os juros é aumentar a nossa margem para investir em Saúde, Educação e Segurança Social. O contrário é demagogia ou saída do euro (opção inteiramente respeitável).
Quanto ao PS, assinou o pacto orçamental da União Europeia, ao mesmo tempo que prometeu tudo e mais alguma coisa em termos de aumento de despesa e diminuição de receita. Se o cumprisse seria o desastre e seríamos a nova Grécia - com a agravante de termos um endividamento privado muito superior aos nossos congéneres gregos. Se não o cumprisse, seria um governo completamente descredibilizado.
Levaram-nos ao resgate, negociaram o memorando com a troika, para poucos meses depois rasgarem o acordo. Mais recentemente, assinaram o acordo de descida do IRC para dar estabilidade fiscal e previsibilidade às empresas junto com os partidos da maioria para meses depois o rasgarem.
Em suma, não há adesão à realidade nem previsibilidade. Chega de demagogia, chega de propostas vãs, chega de "Zorrinhos", de "Galambas" e "Ferros". Só há uma forma de impedir que a corja do "Sócrates" regresse.
Está nas nossas mãos contribuir para uma revolução interna no PS que necessariamente se seguirá a uma derrota nestas legislativas, de tal modo que em 2019 corporize uma alternativa credível.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
«Não se discute Deus e a sua virtude, não se discute a Pátria e a Nação...»
No passado dia 9 de setembro, o país parou para assistir ao debate do ano entre os chamados candidatos a primeiro-ministro Pedro Passos Coelho (Coligação PSD/CDS) e António Costa (PS). Ao contrário do que se diz, os portugueses ainda querem saber de política.
Tenho contudo de manifestar a minha profunda tristeza pela pobreza do debate que foi transmitido em direto pelos três canais abertos. 50% foi a falar do passado, 25% foi a fazer acusações e os restantes 25% foi a fazer propostas vagas, difusas e redondas. É pouco, muito pouco. Os portugueses merecem mais, muito mais.
Como é possível...
É hora de nos levantarmos e de acreditarmos, de nos juntarmos aos partidos e contribuirmos para que estes mudem por dentro ou de criar partidos novos - não necessariamente nos extremos - que permitam colocar estas questões na ordem do dia e aproximem os eleitos do povo.
Finalmente, permitam-me interpelar os leitores - votem, votem bem, votem mal, branco ou nulo - mas não deixem de votar e de acreditar.
Tenho contudo de manifestar a minha profunda tristeza pela pobreza do debate que foi transmitido em direto pelos três canais abertos. 50% foi a falar do passado, 25% foi a fazer acusações e os restantes 25% foi a fazer propostas vagas, difusas e redondas. É pouco, muito pouco. Os portugueses merecem mais, muito mais.
Como é possível...
- não haver uma única palavra sobre política externa, nomeadamente sobre as ideias dos candidatos sobre a União Europeia, as regras comunitárias, a integração europeia, a cedência de soberania, a moeda única? Estes partidos não apenas não se interrogam sobre os ditames de Bruxelas como vendem a nossa soberania sem mandato para tal. Como é possível as questões europeias, que, como se viu nos últimos anos influenciam muito a vida dos portugueses, pura e simplesmente serem ignoradas? A censura já acabou.
- não se discutir o combate à corrupção? É verdade que nunca foi uma prioridade sequer dos discursos destes partidos, mas não é pela Justiça ser independente do poder Legislativo e Executivo que esta questão deve ser ignorada. Sabemos que há imenso trabalho a fazer e gostaria de saber o que o futuro primeiro-ministro pensa fazer sobre o assunto.
- não se discutir o combate à evasão fiscal? É correto reconhecer que muito se progrediu nesta legislatura neste domínio, mas o trabalho deve continuar, e importava saber se há alguma ideia sobre o assunto.
- não se discutir uma efetiva revisão da lei eleitoral? É tempo de discutir este assunto e de contribuirmos para uma renovação da forma de fazer política. Todos os políticos que ouvi serem questionados sobre o assunto se mostraram a favor de os portugueses poderem votar em pessoas e não em cabeças de lista de forma a favorecer uma efetiva representação dos interesses populares e contribuir para uma real meritocracia. Contudo, ninguém tem a coragem de dar o primeiro passo, nem os pequenos partidos alvitram tal hipótese.
É hora de nos levantarmos e de acreditarmos, de nos juntarmos aos partidos e contribuirmos para que estes mudem por dentro ou de criar partidos novos - não necessariamente nos extremos - que permitam colocar estas questões na ordem do dia e aproximem os eleitos do povo.
Finalmente, permitam-me interpelar os leitores - votem, votem bem, votem mal, branco ou nulo - mas não deixem de votar e de acreditar.
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
domingo, 9 de agosto de 2015
Nossa Lisboa, nosso Fado...
Aqui fica o vídeo de homenagem a Carlos do Carmo e à minha, à tua, à nossa Lisboa!
sábado, 25 de julho de 2015
O Estado Social Europeu a Finança e a UE
O Estado Social perverte a Democracia:
Todos os responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas nos países onde esta chegou a valores absurdos deveriam ser severamente punidos por gestão danosa. Contudo, a legislação é fraca relativamente a este crime de lesa pátria. Importa dizer que o próprio povo não quer ouvir, porque não lhe interessa, pelo menos no curto-prazo. Lembram-se em 2009, quando a dra. Ferreira Leite alertava para o endividamento excessivo de Portugal? Diziam que a sra. estava obcecada com as finanças e já não tinha a cabeça no sítio. Anos antes era dr. Jorge Sampaio com a sua afirmação "há mais vida para além do défice". Se tivéssemos arrepiado caminho em 2004, ou mesmo em 2009, provavelmente tínhamos evitado o resgate, mas imperou a versão cor-de-rosa do curto prazo. O mesmo se tem passado na Grécia, onde a maioria quer o Euro e a UE, mas a maioria não quer austeridade.
É importante referir que sou um acérrimo defensor do Estado-Social, mas há aqui algo absolutamente chave, que é a sua sustentabilidade financeira. Uma das mais felizes frases de Paulo Portas nos últimos anos foi dita esta semana - «não há maior inimigo do Estado Social que o Estado falido».
A Finança destrói a Democracia:
Se por um lado os juros agiotas contribuíram para a tragédia a que se assiste, por outro lado, toda esta situação financeira, social e política põe as democracias em risco, e, oxalá me engane, o feitiço virar-se-á contra o feiticeiro. Contudo, se os juros não tivessem subido, qual seria atualmente o nível de dívida pública em países como a Grécia, Itália e Portugal?
A Democracia ou as Democracias?
Os gregos quiseram ilustrar de forma corajosa a força da sua democracia com um referendo há poucas semanas. Esqueceram-se de um detalhe: quem os financia são países que também têm democracias, que também têm eleitorados, que já lhes emprestaram larguíssimos milhares de milhões, e, que incluem:
E Agora?
E que tal pararmos todos e pensarmos no que temos a perder com a destruição da união europeia?
Todos os responsáveis pelo desequilíbrio das contas públicas nos países onde esta chegou a valores absurdos deveriam ser severamente punidos por gestão danosa. Contudo, a legislação é fraca relativamente a este crime de lesa pátria. Importa dizer que o próprio povo não quer ouvir, porque não lhe interessa, pelo menos no curto-prazo. Lembram-se em 2009, quando a dra. Ferreira Leite alertava para o endividamento excessivo de Portugal? Diziam que a sra. estava obcecada com as finanças e já não tinha a cabeça no sítio. Anos antes era dr. Jorge Sampaio com a sua afirmação "há mais vida para além do défice". Se tivéssemos arrepiado caminho em 2004, ou mesmo em 2009, provavelmente tínhamos evitado o resgate, mas imperou a versão cor-de-rosa do curto prazo. O mesmo se tem passado na Grécia, onde a maioria quer o Euro e a UE, mas a maioria não quer austeridade.
É importante referir que sou um acérrimo defensor do Estado-Social, mas há aqui algo absolutamente chave, que é a sua sustentabilidade financeira. Uma das mais felizes frases de Paulo Portas nos últimos anos foi dita esta semana - «não há maior inimigo do Estado Social que o Estado falido».
A Finança destrói a Democracia:
Se por um lado os juros agiotas contribuíram para a tragédia a que se assiste, por outro lado, toda esta situação financeira, social e política põe as democracias em risco, e, oxalá me engane, o feitiço virar-se-á contra o feiticeiro. Contudo, se os juros não tivessem subido, qual seria atualmente o nível de dívida pública em países como a Grécia, Itália e Portugal?
A Democracia ou as Democracias?
Os gregos quiseram ilustrar de forma corajosa a força da sua democracia com um referendo há poucas semanas. Esqueceram-se de um detalhe: quem os financia são países que também têm democracias, que também têm eleitorados, que já lhes emprestaram larguíssimos milhares de milhões, e, que incluem:
- países mais pobres que a Grécia (e.g. Estónia, Letónia, Lituânia, Eslováquia, Roménia, Bulgária, etc);
- países em recuperação financeira e grandes dificuldades (e.g. Portugal, Irlanda, Espanha, Hungria, etc);
- países mais ricos com pouca compreensão das idiossincrasias de um povo do Sul da Europa (e.g. Finlândia, Países Baixos, Áustria, Alemanha, etc)
E Agora?
Deixemo-nos de divisões pérfidas e inférteis, e deixemos as soluções de improviso ou de empurrar os problemas para a frente como foi feito com este último e néscio acordo com as autoridades da Grécia. Vamos dar as mãos e resolver esta situação grega de forma digna e aceitável para todos. Tirem-os do Euro, cortem-lhes a dívida, mas resolvam o problema de vez, mantendo a UE unida e coesa. Acabemos com a idiota ideia de Delors de que a UE é uma bicicleta e que portanto a integração europeia tem de avançar sobre pena de cair.
segunda-feira, 13 de julho de 2015
domingo, 5 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
De que se rirão estes dois!?
Será da sua incompetência?
Será da incompetência da UE?
Ou será da tragédia que espera o povo grego?
quarta-feira, 6 de maio de 2015
Luto
Desde pequenino que me ensinaram que a nossa liberdade termina onde começa a dos nossos vizinhos. Esta é uma boa regra, que, infelizmente não está na Constituição da nossa República.
Falo da greve da TAP que tem efeitos para além-fronteiras, mas não esqueço a CP, o Metro de Lisboa, os Camionistas nem os Estivadores. Está na hora de dizer BASTA! Tudo na vida tem limites e nós portugueses não merecemos que os propalados interesses corporativos se sobreponham de forma sistemática aos interesses nacionais.
Como é possível que se façam 10 dias de greve numa empresa como a TAP e no atual contexto? Como é possível haver ainda quem alvitre ou sequer que cogite a possibilidade de haver um prolongamento da greve? Há limites, mesmo quando o SPAC paga os ordenados aos pilotos durante o período de greve, uma prática que desvirtua e desvaloriza a greve (à imagem do que ocorre na CP).
Este tipo de egocentrismo só tira legitimidade a estas lutas, desvaloriza a greve, e contribui para prejudicar a economia e a vida de cada um. Os pilotos perderam com esta greve toda a legitimidade de reivindicar seja o que for, por muita razão que tivessem à partida. É vergonhoso desvalorizar a empresa desta forma em vésperas da privatização.
Estou de LUTO pela greve de tão descredibilizada que está, mas LUTO contra o sindicalismo bacoco que corrói a nossa democracia e só serve mesmo para atrapalhar, porque resultados, nem vê-los. Aliás, não é por acaso que o sindicalismo está em forte queda.
É hora de dizer BASTA!
Falo da greve da TAP que tem efeitos para além-fronteiras, mas não esqueço a CP, o Metro de Lisboa, os Camionistas nem os Estivadores. Está na hora de dizer BASTA! Tudo na vida tem limites e nós portugueses não merecemos que os propalados interesses corporativos se sobreponham de forma sistemática aos interesses nacionais.
Como é possível que se façam 10 dias de greve numa empresa como a TAP e no atual contexto? Como é possível haver ainda quem alvitre ou sequer que cogite a possibilidade de haver um prolongamento da greve? Há limites, mesmo quando o SPAC paga os ordenados aos pilotos durante o período de greve, uma prática que desvirtua e desvaloriza a greve (à imagem do que ocorre na CP).
Este tipo de egocentrismo só tira legitimidade a estas lutas, desvaloriza a greve, e contribui para prejudicar a economia e a vida de cada um. Os pilotos perderam com esta greve toda a legitimidade de reivindicar seja o que for, por muita razão que tivessem à partida. É vergonhoso desvalorizar a empresa desta forma em vésperas da privatização.
Estou de LUTO pela greve de tão descredibilizada que está, mas LUTO contra o sindicalismo bacoco que corrói a nossa democracia e só serve mesmo para atrapalhar, porque resultados, nem vê-los. Aliás, não é por acaso que o sindicalismo está em forte queda.
É hora de dizer BASTA!
domingo, 12 de abril de 2015
Euro...pa!
Aconselho a todos o visionamento deste vídeo, longo, é certo, mas que põe a nu alguns aspetos que me parecem importantes percebermos, como a forma ilegítima, imoral e anti-democrática com que sucessivos governos têm vendido a nossa soberania nas últimas décadas.
Para quem não sabe, o Dr. Ferreira do Amaral defende a saída de Portugal do Euro. Podemos discordar ou não, mas lá que o senhor diz muitas verdades, lá isso diz:
Durante séculos os nossos antepassados lutaram e morreram para que tivéssemos este país que é nosso por direito. E os nossos últimos governantes têm, desde os anos 1990, vendido a nossa soberania de forma aterradora. E isto não se trata de sermos de esquerda ou de direita, é só abrir os olhos.
De que nos servirá um governo num país pequeno e periférico com uma economia pouco competitiva e extremamente aberta, sem autonomia de política monetária, com cada vez menos empresas públicas e cujas grandes políticas são definidas no estrangeiro? De que serve irmos votar? Os eleitos poderão ter as melhores intenções, mas no final das contas muito pouco poderão fazer.
É hora de abrirmos os olhos e pormos cobro a isto. Em breve teremos eleições. É uma excelente ocasião para que este debate se tenha e se discutam as seguintes questões:
Deixemos de acreditar na carochinha - a solidariedade europeia é um mito - e deixemo-nos de estereótipos: os alemães não são egoístas, maus, nem nazis, mas estão igualmente longe de representar a perfeição e os gregos não são uns inveterados preguiçosos e corruptos, mas têm muitas culpas no cartório. Finalmente, deixemo-nos de hipocrisias. Não é por defender a saída do Euro ou, simplesmente a questionar, que nos tornamos menos europeus ou anti europeus!
Discuta-se o conteúdo das coisas e não a forma. A sofreguidão com que os vários atores políticos têm feito "avançar" projeto Europeu está a matá-lo. Basta ver o crescendo de animosidades entre os povos, altamente indesejável e por demais perigoso.
Para quem não sabe, o Dr. Ferreira do Amaral defende a saída de Portugal do Euro. Podemos discordar ou não, mas lá que o senhor diz muitas verdades, lá isso diz:
Durante séculos os nossos antepassados lutaram e morreram para que tivéssemos este país que é nosso por direito. E os nossos últimos governantes têm, desde os anos 1990, vendido a nossa soberania de forma aterradora. E isto não se trata de sermos de esquerda ou de direita, é só abrir os olhos.
De que nos servirá um governo num país pequeno e periférico com uma economia pouco competitiva e extremamente aberta, sem autonomia de política monetária, com cada vez menos empresas públicas e cujas grandes políticas são definidas no estrangeiro? De que serve irmos votar? Os eleitos poderão ter as melhores intenções, mas no final das contas muito pouco poderão fazer.
É hora de abrirmos os olhos e pormos cobro a isto. Em breve teremos eleições. É uma excelente ocasião para que este debate se tenha e se discutam as seguintes questões:
- Porque é que entrámos para o Euro? Qual a legitimidade da decisão?
- Depois de 16 anos com moeda partilhada (a circular há 13), período em que tivemos o pior desempenho económico da democracia não é hora de discutirmos as vantagens e inconvenientes desta moeda?
- Quando é que os portugueses sufragaram a superintendência da Comissão ou Conselho Europeu relativamente ao Governo Português?
Deixemos de acreditar na carochinha - a solidariedade europeia é um mito - e deixemo-nos de estereótipos: os alemães não são egoístas, maus, nem nazis, mas estão igualmente longe de representar a perfeição e os gregos não são uns inveterados preguiçosos e corruptos, mas têm muitas culpas no cartório. Finalmente, deixemo-nos de hipocrisias. Não é por defender a saída do Euro ou, simplesmente a questionar, que nos tornamos menos europeus ou anti europeus!
Discuta-se o conteúdo das coisas e não a forma. A sofreguidão com que os vários atores políticos têm feito "avançar" projeto Europeu está a matá-lo. Basta ver o crescendo de animosidades entre os povos, altamente indesejável e por demais perigoso.
domingo, 8 de março de 2015
Fait-divers mesquinhos e fedorentos...
Andamos a entreter a grei com o que não interessa não é, senhores políticos?
Primeiro foi o dr. Costa a dizer que não disse o que todos o ouvimos dizer. Agora foi o dr. Coelho a justificar o injustificável. Poderia discorrer sobre estes dois assuntos, mas prefiro refocar as objetivas naquilo que interessa - a política, entenda-se, o conteúdo da política!
O que gostaria muito de saber é como é que o dr. Coelho pretende corrigir aquilo que está a correr mal num segundo mandato, porque, muito embora os vários sinais positivos que estão à vista de todos, há muitos aspetos em que as coisas não estão a correr bem. A diminuição da dívida em percentagem do PIB e em valor nominal - que prometem para este ano - está a tardar, o investimento tarda em descolar, não obstante as taxas de juro historicamente baixas e as trapalhadas políticas repetem-se, cá dentro e lá fora, veja-se as trapalhadas na Educação e na Justiça, os problemas na Saúde ou triste conflito com a Grécia. O governo continua a ser a melhor oposição a si mesmo.
Ao dr. Costa, que até agora, apenas mostrou ser uma nulidade mais carismática que o infausto dr. Seguro, pede-se mais, muito mais. Não promessas vãs, mas compromissos concretos. Procure quantificar cada aumento de despesa que propõe e apresentar alternativas para aumento da receita ou diminuição da despesa. Os portugueses estão mais espertos e despertos e não estão tão fáceis de enganar como já foram!
O momento ainda não chegou em Portugal. Não temos Syriza, Podemos, nem equivalente. O povo, descrente, opta por votar cada vez menos. Mais cedo que tarde aparecerá uma alternativa carismática que todos considerarão por oposição ao cartel PSD-PS. Não saberão ao que vão mas fartos dos vícios dos atuais «donos de Portugal», votarão pela mudança. Assim surgiram grandes ditaduras do passado, é só revisitar a história. Vamos acordar antes que seja tarde, sim? Um primeiro passo seria os jornalistas e os políticos focarem-se nas grandes questões nacionais, como a UE, a dívida, o crescimento económico e a reforma do Estado. Os portugueses agradeciam.
Primeiro foi o dr. Costa a dizer que não disse o que todos o ouvimos dizer. Agora foi o dr. Coelho a justificar o injustificável. Poderia discorrer sobre estes dois assuntos, mas prefiro refocar as objetivas naquilo que interessa - a política, entenda-se, o conteúdo da política!
O que gostaria muito de saber é como é que o dr. Coelho pretende corrigir aquilo que está a correr mal num segundo mandato, porque, muito embora os vários sinais positivos que estão à vista de todos, há muitos aspetos em que as coisas não estão a correr bem. A diminuição da dívida em percentagem do PIB e em valor nominal - que prometem para este ano - está a tardar, o investimento tarda em descolar, não obstante as taxas de juro historicamente baixas e as trapalhadas políticas repetem-se, cá dentro e lá fora, veja-se as trapalhadas na Educação e na Justiça, os problemas na Saúde ou triste conflito com a Grécia. O governo continua a ser a melhor oposição a si mesmo.
Ao dr. Costa, que até agora, apenas mostrou ser uma nulidade mais carismática que o infausto dr. Seguro, pede-se mais, muito mais. Não promessas vãs, mas compromissos concretos. Procure quantificar cada aumento de despesa que propõe e apresentar alternativas para aumento da receita ou diminuição da despesa. Os portugueses estão mais espertos e despertos e não estão tão fáceis de enganar como já foram!
O momento ainda não chegou em Portugal. Não temos Syriza, Podemos, nem equivalente. O povo, descrente, opta por votar cada vez menos. Mais cedo que tarde aparecerá uma alternativa carismática que todos considerarão por oposição ao cartel PSD-PS. Não saberão ao que vão mas fartos dos vícios dos atuais «donos de Portugal», votarão pela mudança. Assim surgiram grandes ditaduras do passado, é só revisitar a história. Vamos acordar antes que seja tarde, sim? Um primeiro passo seria os jornalistas e os políticos focarem-se nas grandes questões nacionais, como a UE, a dívida, o crescimento económico e a reforma do Estado. Os portugueses agradeciam.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
Eu não sou Charlie!
Começo por dizer que os vários atos terroristas que ocorreram em França na passada semana foram algo de completamente inaceitável, intolerável, injustificável, imperdoável e bárbaro. Lamento profundamente todos os mortos, feridos e o sofrimento que sobreviventes, familiares e amigos levarão consigo para o resto das suas vidas. Devo ainda dizer que gostei muito de assistir à marcha de ontem nas ruas de Paris.
A propósito deste acontecimento, gostaria de vos deixar um par de reflexões:
Ontem a França uniu-se, a Europa uniu-se, o civilização ocidental uniu-se e as democracias uniram-se em torno desse grito silencioso de veemente condenação ao terrorismo, e de afirmação da união em torno dos valores da democracia e da liberdade de expressão. Afinal o ser humano é assim mesmo, une-se mais facilmente nas adversidades. Infelizmente, é mais fácil ter-se um inimigo comum que um amigo comum, mas vale sobretudo a pena pensar que, se por um lado a paz e a democracia não são dados adquiridos e temos que lutar por eles todos os dias, por outro, é provavelmente ser muito mais aquilo que nos une do que aquilo que nos separa dos nossos concidadãos, ao contrário daquilo que possamos pensar quando nos deixamos levar pela chicana política do dia-a-dia.
Por outro lado, gostaria de dizer que «eu não sou Charlie». O pretenso jornalismo de Charlie Hedbo é para mim reprovável, e não é por muitos dos seus autores terem sido barbaramente assassinados que se deve deixar passar o assunto em claro. Como disse, e bem, Gustavo Santos nas redes sociais: «Opinar sim, questionar também, agora gozar sistematicamente com convicções alheias é que me parece despropositado». A liberdade tem limites, como a infâmia ou a calúnia. O desrespeito por símbolos associados a grande afetividade, como são os religiosos, é um terreno pantanoso e perigoso, especialmente quando são símbolos de outros. Com frequência, esses outros, não pensam como nós, e portanto devemos respeitar os seus credos. É hora de começarmos a aprender alguma coisa com estes acontecimentos e perceber que nós - ocidentais - talvez também tenhamos o nosso quinhão de responsabilidade.
Saudações e feliz 2015 para todos os leitores!
domingo, 14 de dezembro de 2014
Gafes à Costa
Esta é uma breve chamada de atenção ao dr. António Costa, Presidente da CML, Líder do PS e candidato a PM de Portugal. Durante a sua intervenção de ontem, em meras 2 ou 3 frases a defender a não privatização da TAP, conseguiu cometer dois erros:
- primeiro veio citar o Memorando de Entendimento com a Troika para desmentir o PM e conseguiu dizer que o encaixe financeiro previsto com as privatizações era de 5.5 milhões de euros, quando de facto era de 5.5 mil milhões (três ordens de grandeza de erro);
- depois disse que a TAP tinha hoje a importância que as Caravelas tinham durante os Descobrimentos no século XIV, o que é errado pois a expansão em África só começou em 1415 (século XV) e os descobrimentos na verdadeira aceção do termo com as descobertas da Madeira, em 1418, e dos Açores, em 1427, o que também ocorreu já no século XV e não no século XIV.
A falta de rigor só prejudica a eficácia do seu discurso dr. António Costa! Vamos lá elevar a qualidade do debate político e pensar bem o que dizemos.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
Black Friday na TAP - O direito à indignação
A TAP - até ver - é 100% pública e, por essa razão, a sua ação deve pautar-se pelos mais elevados padrões de serviço público, pois os seus acionistas são todos os portugueses.
Neste contexto, é com manifesta incompreensão que venho chamar a atenção para uma recente manobra de marketing da TAP (Transportes Aéreos Portugueses).
A Black Friday da TAP teve lugar no dia 28 de novembro, e dirigia-se aos clientes brasileiros da companhia, prometendo bilhetes acessíveis e a crédito em 5 prestações para reservas em datas especificadas a partir de um dos 12 aeroportos brasileiros servidos pela companhia portuguesa.
Os preços a partir de:
Neste contexto, é com manifesta incompreensão que venho chamar a atenção para uma recente manobra de marketing da TAP (Transportes Aéreos Portugueses).
A Black Friday da TAP teve lugar no dia 28 de novembro, e dirigia-se aos clientes brasileiros da companhia, prometendo bilhetes acessíveis e a crédito em 5 prestações para reservas em datas especificadas a partir de um dos 12 aeroportos brasileiros servidos pela companhia portuguesa.
Os preços a partir de:
- 149.80 dólares norte-americanos para: Madrid, Milão, Frankfurt, Munique, Paris e Londres;
- 159.80 dólares norte-americanos para: Lisboa, Porto, Hamburgo, Düsseldorf, Berlim, etc.
Ora, como português é-me totalmente incompreensível a razão de se cobrar mais a um brasileiro por viajar até ao Porto ou Lisboa do que por este viajar até Frankfurt ou Paris, sendo que terá necessariamente de passar por uma destas duas cidades portuguesas.
A campanha não tem racionalidade económica, e mesmo assumindo que se encontra assente numa estratégia de marketing racional, não compreendo que a companhia aérea de bandeira portuguesa prejudique de forma premeditada quem quer visitar o seu país, por comparação com outros destinos. Numa palavra: «uma vergonha!».
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
É a hora!
Poucos lhe anteveriam uma chegada à liderança tão funesta. Afinal, estamos a falar de um político com uma boa imagem junto dos portugueses, que deu provas de capacidade de governar (em Lisboa e na Administração Interna), com uma capacidade de diálogo e entendimento político acima da média (como se viu em Lisboa), e claro, com uma imagem muito menos desgastada que a concorrência (interna e dos partidos do governo).
Uma semana depois da ala socrática do PS voltar por sua mão a ser a grande protagonista nos debates da AR e do novo líder parlamentar - Ferro Rodrigues - ter assumido com orgulho o ónus da governação do último primeiro-ministro socialista, o alegado caso de corrupção associado aos Vistos Dourados fazia o sol brilhar no Largo do Rato.
No entanto, e, justamente no fim-de-semana em que Costa foi eleito Secretário-Geral, o chão desabou debaixo dos seus pés. A prisão preventiva do ex-primeiro-ministro é um autêntico pesadelo que agrava ainda mais a já grandíssima desconfiança dos portugueses no Estado. António Costa foi de Messias a "nado-morto" em menos de um fósforo.
Da Justiça os portugueses esperam que seja justa, célere e clara ao dirimir os casos que tem entre mãos, mas não só. Se é verdade que alguém conseguiu juntar 20 milhões de euros com luvas, o que não terá o Estado em contrapartida pago, ou estar a pagar a essa pessoa, pessoas ou entidade? Isso sim, seria um trabalho completo.
De Pedro Passos Coelho e de António Costa - como o General Garcia Leandro teve oportunidade de referir na passada 2ª feira no «Prós e Contras» da RTP - os portugueses esperam que sejam capazes de apanhar o comboio da história que lhes está a passar à frente. Está na hora de colocar a corrupção no centro do debate político, condená-la abertamente e discutir formas de a combater de forma eficaz.
O desenvolvimento económico e o combate às crescentes desigualdades também passa por aqui. Os países mais corruptos são os países mais desiguais e frequentemente mais pobres, e, quando maior é a desigualdade, maior é o potencial de corrupção.
Se os "principais" partidos não se regenerarem, Portugal seguirá as passadas gregas, italianas e espanholas rumo à desagregação do regime político vigente. Depois não se queixem!
Como diria Fernando Pessoa: «É a hora!»
Uma semana depois da ala socrática do PS voltar por sua mão a ser a grande protagonista nos debates da AR e do novo líder parlamentar - Ferro Rodrigues - ter assumido com orgulho o ónus da governação do último primeiro-ministro socialista, o alegado caso de corrupção associado aos Vistos Dourados fazia o sol brilhar no Largo do Rato.
No entanto, e, justamente no fim-de-semana em que Costa foi eleito Secretário-Geral, o chão desabou debaixo dos seus pés. A prisão preventiva do ex-primeiro-ministro é um autêntico pesadelo que agrava ainda mais a já grandíssima desconfiança dos portugueses no Estado. António Costa foi de Messias a "nado-morto" em menos de um fósforo.
Da Justiça os portugueses esperam que seja justa, célere e clara ao dirimir os casos que tem entre mãos, mas não só. Se é verdade que alguém conseguiu juntar 20 milhões de euros com luvas, o que não terá o Estado em contrapartida pago, ou estar a pagar a essa pessoa, pessoas ou entidade? Isso sim, seria um trabalho completo.
De Pedro Passos Coelho e de António Costa - como o General Garcia Leandro teve oportunidade de referir na passada 2ª feira no «Prós e Contras» da RTP - os portugueses esperam que sejam capazes de apanhar o comboio da história que lhes está a passar à frente. Está na hora de colocar a corrupção no centro do debate político, condená-la abertamente e discutir formas de a combater de forma eficaz.
O desenvolvimento económico e o combate às crescentes desigualdades também passa por aqui. Os países mais corruptos são os países mais desiguais e frequentemente mais pobres, e, quando maior é a desigualdade, maior é o potencial de corrupção.
Se os "principais" partidos não se regenerarem, Portugal seguirá as passadas gregas, italianas e espanholas rumo à desagregação do regime político vigente. Depois não se queixem!
Como diria Fernando Pessoa: «É a hora!»
domingo, 9 de novembro de 2014
Reativar o «Portugal Profundo»
A Defesa do Interior é uma das parangonas mais publicitadas por políticos, especialmente quando estão na Oposição ou em Campanha. Quando chegam ao poder, pouco ou nada se vê em termos de alterações mensuráveis.
Desde o século XIII, altura em que D. Afonso III conquistou o Algarve, que Portugal sofre de um desequilíbrio demográfico no eixo norte-sul, com prejuízo para o sul. Essa diferença ainda hoje se faz sentir. A norte do rio Tejo vivem mais de 8 milhões de pessoas e a sul do mesmo rio residem menos de 2 milhões. Para além deste desequilíbrio, desde finais do século XIX que se assiste a um processo de desertificação progressiva do interior do país. Uns migraram para o litoral, sobretudo para as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, outros emigraram, sobretudo nos anos 1960 e 1970 para a Europa central (principalmente para França, Alemanha, Luxemburgo e Suíça). Hoje em dia, mais de 80% da população vive numa estreita faixa a menos de 50km da costa que vai de Setúbal a Braga.
Todos concordam que algo tem de ser feito, e rápido, para evitar que o interior desapareça do mapa. Não há soluções fáceis nem remédios santos, mas não podemos continuar como até aqui. Todas as estratégias têm fracassado globalmente, e apenas se assiste a uma modesta, mas inexpressiva dinâmica em poucas cidades de dimensão relativamente exígua. Tem-se apostado no interior no seu todo, mas, por falta de meios, pouco. Porque é que as pessoas não vão viver para o interior? Porque é longe? Porque é inacessível? Não. Com as vias de comunicação de hoje não há lugar que esteja a mais de 3h do litoral. O problema é a falta de investimento, de emprego e sobretudo de cidades médias (com mais de 100 mil habitantes). Afinal, uma cidade atrativa tem que ter, pelo menos, um bom hospital, um tribunal, uma universidade, uma biblioteca, um teatro, cinemas e boas acessibilidades (ferroviária e rodoviária, pelo menos), entre outros.
Tendo as entidades públicas pouca capacidade financeira no atual contexto, temos de ESCOLHER pólos de desenvolvimento do interior capazes de ganharem escala, atraírem investimento, e por essa via criarem emprego e atraírem população nova.
Considero que seria muito útil escolherem-se 3/4 cidades/concelhos no interior para terem um regime fiscal muitíssimo mais favorável que o atualmente vigente. Algo como reduzir todos os impostos (à exceção do IVA e Segurança Social) na ordem dos 50% (IRS e IRC) durante um período mínimo garantido de 10 anos criaria uma dinâmica muito importante que a prazo se poderia auto-sustentar.
Quanto às cidades, pelo menos, uma no norte, outra no centro e outra no sul:
Claro que isto também deve ser inconstitucional, mas levar o país à bancarrota já é constitucional! Mas já todos devem ter percebido que com esta Constituição não vamos a lado nenhum, certo?
Desde o século XIII, altura em que D. Afonso III conquistou o Algarve, que Portugal sofre de um desequilíbrio demográfico no eixo norte-sul, com prejuízo para o sul. Essa diferença ainda hoje se faz sentir. A norte do rio Tejo vivem mais de 8 milhões de pessoas e a sul do mesmo rio residem menos de 2 milhões. Para além deste desequilíbrio, desde finais do século XIX que se assiste a um processo de desertificação progressiva do interior do país. Uns migraram para o litoral, sobretudo para as Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, outros emigraram, sobretudo nos anos 1960 e 1970 para a Europa central (principalmente para França, Alemanha, Luxemburgo e Suíça). Hoje em dia, mais de 80% da população vive numa estreita faixa a menos de 50km da costa que vai de Setúbal a Braga.
Todos concordam que algo tem de ser feito, e rápido, para evitar que o interior desapareça do mapa. Não há soluções fáceis nem remédios santos, mas não podemos continuar como até aqui. Todas as estratégias têm fracassado globalmente, e apenas se assiste a uma modesta, mas inexpressiva dinâmica em poucas cidades de dimensão relativamente exígua. Tem-se apostado no interior no seu todo, mas, por falta de meios, pouco. Porque é que as pessoas não vão viver para o interior? Porque é longe? Porque é inacessível? Não. Com as vias de comunicação de hoje não há lugar que esteja a mais de 3h do litoral. O problema é a falta de investimento, de emprego e sobretudo de cidades médias (com mais de 100 mil habitantes). Afinal, uma cidade atrativa tem que ter, pelo menos, um bom hospital, um tribunal, uma universidade, uma biblioteca, um teatro, cinemas e boas acessibilidades (ferroviária e rodoviária, pelo menos), entre outros.
Tendo as entidades públicas pouca capacidade financeira no atual contexto, temos de ESCOLHER pólos de desenvolvimento do interior capazes de ganharem escala, atraírem investimento, e por essa via criarem emprego e atraírem população nova.
Considero que seria muito útil escolherem-se 3/4 cidades/concelhos no interior para terem um regime fiscal muitíssimo mais favorável que o atualmente vigente. Algo como reduzir todos os impostos (à exceção do IVA e Segurança Social) na ordem dos 50% (IRS e IRC) durante um período mínimo garantido de 10 anos criaria uma dinâmica muito importante que a prazo se poderia auto-sustentar.
Quanto às cidades, pelo menos, uma no norte, outra no centro e outra no sul:
- Norte: Bragança (por ser a mais periférica na perspetiva de se investir em ferrovia e/ou autoestrada) ou Vila Real (por ter Universidade, estar mais perto do Porto e possuir melhores vias de comunicação).
- Centro: Guarda (por estar na confluência da A23 e da A25, das linhas férreas da Beira Baixa e Beira Alta e ainda no eixo Aveiro-Salamanca), ou Covilhã (por estar no centro da Beira Interior, no eixo Guarda-Castelo Branco, por ter Universidade e ser a segunda maior cidade) ou Castelo Branco (por ser a maior das três cidades).
- Sul: Évora (por estar no centro do Alentejo, no eixo Lisboa-Madrid, ser a maior cidade da região e ter Universidade) ou Beja (pelo aeroporto e proximidade ao porto de Sines).
Claro que isto também deve ser inconstitucional, mas levar o país à bancarrota já é constitucional! Mas já todos devem ter percebido que com esta Constituição não vamos a lado nenhum, certo?
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
DEIXEM-NOS TRABALHAR
Venho por este meio manifestar o meu mais profundo desrespeito, leram bem, desrespeito por todos aqueles que fizeram greve no metropolitano de Lisboa na semana passada.
Não venham agora os sindicalistas mais acérrimos manifestar-se a favor da greve, eles que defendem tanto a liberdade e o sacrifício da parte pelo todo. Os trabalhadores do Metro da capital portuguesa foram - mais uma vez - egoístas e insensíveis, ou serão eles os únicos a sofrer pela crise?! E os enfermeiros, os professores, os médicos, os militares, os polícias, os juízes, os trabalhadores das empresas públicas e demais funcionários públicos não estão também a sofrer!? E os desempregados? Há naturalmente greves de outros setores, por exemplo, dos enfermeiros, mas deles não depende a economia como depende das empresas de transportes.
Querem reclamar, façam manifestações, façam uma greve de zelo e não recebam dinheiro pelos bilhetes (isso sim, preocuparia o ministro e não afetaria o povo), vão a casa do ministro da tutela manifestar-se, vão a casa do primeiro-ministro, mudem todos de emprego se puderem, mas como diria o prof. Cavaco Silva numa altura mais feliz da sua vida: «DEIXEM-NOS TRABALHAR».
A democracia consiste em cada um manifestar a sua opinião livremente, e, se os trabalhadores do metropolitano de Lisboa têm o direito a parar a cidade - o que vai muito para além de se manifestarem - também eu tenho o direito, afetando-os muito menos que o que eles mesmos afetaram todos os cidadão que se deslocaram na capital na passada quinta-feira - que desprezo todos os grevistas, independentemente de terem toda a razão do mundo. Afinal, em democracia, a minha liberdade termina onde começa a do meu vizinho e na semana passada, os trabalhadores do metro de Lisboa condicionaram - e muito - a liberdade dos cidadãos lisboetas.
Não sou pela proibição da greve, mas sou contra a sua banalização e não posso concordar que o setor dos transportes, crítico como é para a economia, bloqueie a sociedade desta forma. Com estas greves só se ajuda a direita que quer privatizar tudo a eito por imperativo ideológico, porque greves neste país, só mesmo no setor público. Porque será?
Não venham agora os sindicalistas mais acérrimos manifestar-se a favor da greve, eles que defendem tanto a liberdade e o sacrifício da parte pelo todo. Os trabalhadores do Metro da capital portuguesa foram - mais uma vez - egoístas e insensíveis, ou serão eles os únicos a sofrer pela crise?! E os enfermeiros, os professores, os médicos, os militares, os polícias, os juízes, os trabalhadores das empresas públicas e demais funcionários públicos não estão também a sofrer!? E os desempregados? Há naturalmente greves de outros setores, por exemplo, dos enfermeiros, mas deles não depende a economia como depende das empresas de transportes.
Querem reclamar, façam manifestações, façam uma greve de zelo e não recebam dinheiro pelos bilhetes (isso sim, preocuparia o ministro e não afetaria o povo), vão a casa do ministro da tutela manifestar-se, vão a casa do primeiro-ministro, mudem todos de emprego se puderem, mas como diria o prof. Cavaco Silva numa altura mais feliz da sua vida: «DEIXEM-NOS TRABALHAR».
A democracia consiste em cada um manifestar a sua opinião livremente, e, se os trabalhadores do metropolitano de Lisboa têm o direito a parar a cidade - o que vai muito para além de se manifestarem - também eu tenho o direito, afetando-os muito menos que o que eles mesmos afetaram todos os cidadão que se deslocaram na capital na passada quinta-feira - que desprezo todos os grevistas, independentemente de terem toda a razão do mundo. Afinal, em democracia, a minha liberdade termina onde começa a do meu vizinho e na semana passada, os trabalhadores do metro de Lisboa condicionaram - e muito - a liberdade dos cidadãos lisboetas.
Não sou pela proibição da greve, mas sou contra a sua banalização e não posso concordar que o setor dos transportes, crítico como é para a economia, bloqueie a sociedade desta forma. Com estas greves só se ajuda a direita que quer privatizar tudo a eito por imperativo ideológico, porque greves neste país, só mesmo no setor público. Porque será?
Subscrever:
Mensagens (Atom)




