segunda-feira, 31 de março de 2014

Um PS sem Rei nem Roque

Sabemos bem aquilo que o PSD e o CDS defendem, ou não estivessem a governar o país há quase 3 anos: cortes em todas as rubricas orçamentais do Estado, com particular enfoque nos ordenados dos funcionários públicos, prestações sociais, pensões, Educação e Saúde, sem esquecer a Defesa, a Justiça e a Administração Interna com o objetivo primeiro de pagar tudo aos nossos credores sem que haja perdão da dívida. A redução do défice das contas públicas é fundamental nesta estratégia - os 17 mil milhões que gastávamos a mais do que aquilo que recolhíamos em impostos em 2010 não eram sustentáveis.
Os resultados estão à vista de todos e cabe a cada um avaliar a virtude das políticas implementadas.
Depois temos a extrema-esquerda, encabeçada por PCP e BE que defendem quase tudo ao contrário daquilo que o atual governo defende, sugerindo uma abrangente renegociação da dívida (com ou sem perdão parcial) e defendendo um Estado máximo, estando, naturalmente, contra as privatizações. Defendem soluções ousadas, com as quais podemos concordar ou não, mas assumem as suas posições.

Finalmente temos o PS. O PS que a esquerda acusa de estar com a direita e que a direita acusa de estar com a esquerda. É um PS que é esquerda e direita ao mesmo tempo, mas, no fundo não é esquerda, nem direita. Assumiu o Pacto Orçamental com a União Europeia (que exige um défice das contas públicas inferior a 0,5% do PIB) alinhando-se com a direita, mas acusa o governo de excessos na austeridade sem apontar qualquer alternativa para se cumprirem os limites internacionalmente acordados. Promete repor salários e pensões, reforçar (ou repor) o investimento em Educação, Ciência e Saúde e até - pasmem-se - repor o antigo mapa autárquico com mais de 4000 freguesias, ao invés das atuais cerca de 3000. Esta deriva populista e altamente incongruente da ação política do Partido Socialista português tem sido por demais evidente. A matemática não mente e o dinheiro não nasce nas árvores. Se não disserem aos portugueses como pretendem cumprir o pacto orçamental, os portugueses vão - legitimamente - recusar-se ao opróbrio de votar PS, refugiando-se no voto à esquerda, à direita, branco, nulo ou talvez mesmo na abstenção, mas não voltarão a votar num partido que quer tanto ser tudo que acaba por ser coisa nenhuma!

Em suma, são razoavelmente claras para todos as ideias de BE, PCP, CDS e PSD, mas, em relação ao PS somos levados a concluir que quer - mais uma vez - enganar os portugueses e que realmente a coerência política não mora no Largo do Rato.

Precisamos de um PS, socialista e realista. Exorto todos os verdadeiros socialistas a se envolverem, a bem da democracia e do futuro de Portugal.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Elefantes Brancos Fantasma

Caros leitores, venho hoje falar-vos de algumas obras públicas nacionais que foram começadas e estão inacabadas. Umas terão mais razão de existir que outras, mas, em todos os casos, mais grave do que investimentos de retorno não garantido para a economia, é estarmos a pagar algo de que não usufruímos porque as construções estão paradas, algumas a deteriorar-se e sem fim à vista. Se o anterior governo queria fazer (ou anunciar que fazia) tudo, este insiste em deixar arrastar problemas que há muito deviam ter sido resolvidos, seguem alguns exemplos:
  • Autoestrada A4 (Túnel do Marão): O túnel do Marão faz parte do troço da autoestrada número quatro que ligará, quando concluída, o Porto a Vila Real, através do maior túnel rodoviário da península Ibérica. Em 2011, o consórcio a quem a obra tinha sido atribuída interrompeu as obras por falta de financiamento, contudo, só dois anos depois é que o Estado Português resolveu o respetivo contrato, tendo alegado justa-causa por incumprimento da parte da concessionária. De acordo com o sr. primeiro-ministro, espera-se agora o retomar das obras ainda em 2014. Para trás ficam vários anos com a obra parada, perdas significativas para a economia e certamente um custo global que excederá o montante inicialmente orçado em 350 milhões de euros. É lamentável que, tendo a interrupção das obras ocorrido em junho de 2011 se tenha que esperar três anos pela retoma da mesma, mesmo não sendo imputável ao Estado a sua interrupção;
  • IP8/A26 (Sines-Beja): A ideia passa por ligar por via-rápida o porto de Sines ao aeroporto de Beja e baseia-se na assunção de que podemos importar mercadorias pelo porto de Sines para depois distribuir pela Europa por via aérea, que é algo manifestamente sem sentido. A utilização do transporte aéreo ou naval para o transporte de mercadorias a longas distâncias depende de vários fatores e, das duas umas, ou se quer rapidez, paga-se mais e utiliza-se o avião, ou, pelo contrário, não há pressa, e/ou o peso da mercadoria é demasiado para ser economicamente viável o transporte aéreo e opta-se pelo transporte marítimo.  É confrangedor ver a quantidade de viadutos que estão construídos no percurso sem que haja estrada alguma a ligá-los, que, para cúmulo, está bom de ver que são o mais caro da obra. Agora, ou deixamos os viadutos a degradar-se ainda mais como testemunhos de um tempo político, económico e moral a que não queremos regressar ou corremos o risco de ir gastar ainda mais sem racionalidade económica (venha o diabo e escolha!»);
  • Linha Férrea da Beira-Baixa (Covilhã-Guarda): A remodelação da linha ferroviária da Beira-Baixa teve lugar nos últimos anos. O último troço desta renovação e eletrificação da linha foi a troço Covilhã-Guarda. Retiraram-se os carris antigos e a obra parou. Gastou-se demasiado dinheiro para se ficar pior que antes. Se se quiser exportar a partir das zonas industriais da Covilhã, do Fundão e Castelo Branco por via ferroviária para a Europa, as mercadorias têm de fazer o percurso seguinte: Abrantes-Entroncamento-Coimbra-Guarda-Vilar Formoso. Podemos discutir se no atual contexto faz ou não sentido investir nas zonas demograficamente mais deprimidas, mas não podemos gastar dinheiro a destruir o que existe para ficarmos pior do que no princípio;
  • Variante Norte (Faro): Estamos a falar de cerca de 2.5 km de estrada que seria uma circular da cidade de Faro e que ligaria o aeroporto e ilha de Faro a Olhão e a toda a zona Este do Algarve sem necessidade de se passar por dentro da capital algarvia. Estimativas indicam que a conclusão da obra permitiria retirar diariamente mais de 20 mil veículos da cidade de Faro com óbvias vantagens do ponto de vista ambiental, económico e da segurança. A obra está parada desde 2012 por dificuldades financeiras do concessionário. É tempo de se denunciar o contrato, exigindo a respetiva indemnização ao Estado, uma célere reavaliação da virtude do investimento e a retoma dos trabalhos, se for o caso;
  • Metro Mondego (Coimbra): Este é um dos casos mais mediáticos e ilustrador do ponto a que chega a gestão pública nacional. Em Coimbra, removeram-se as linhas de comboio suburbano para construir um sistema metropolitano de superfície denominado de Metro Mondego. Criou-se uma empresa, gastaram-se milhões, e, no final, o espaço preparado para receber os novos carris é servido por autocarros. Se era para ficar pior, para que se gastou tanto dinheiro!?
Além de tudo isto, há as primeiras pedras que ficaram sozinhas – um dos casos mais paradigmático é talvez o do Hospital Central do Algarve, entre Faro e Loulé. Lá esteve o sr. "engenheiro" a coloca-la em 2009 e, até hoje, continua sozinha. Uma desconsideração para todos os portugueses. Onde estão os responsáveis pela aprovação destas obras fantasma? Quem celebrou contratos sem garantias de financiamento adequadas? Quem aprovou obras sem qualquer cabimento ou racionalidade económica? É preciso responsabilizar civil e criminalmente esta gente pelos prejuízos diretos para o erário público e indiretos para a economia nacional que causaram e continuam a causar. Não é nas urnas, através do voto, é mesmo no banco dos réus que temos de os colocar, não só para que não voltem sequer a pensar em abusar do seu poder em benefício de interesses privados ou corporativos, mas também para passar uma mensagem clara para presentes e futuros governantes e detentores de cargos públicos no sentido de moralizar o sistema e acabar de vez com o "regabofe" que dilacera as fundações do regime democrático em Portugal.

quinta-feira, 13 de março de 2014

TAP diminui dívida, dá lucros e contrata 600 trabalhadores


Com uma taxa de ocupação nos seus voos próxima dos 80% e transportando mais passageiros que nunca, num total de 10,7 milhões, o ano de 2013 dificilmente poderia ser melhor para a TAP que foi eleita como a 7ª companhia mais segura do mundo e 2ª mais segura da Europa (JADEC) e a melhor companhia aérea da Europa (Global Travelers Magazine). Já neste ano, a TAP beneficiará do campeonato do mundo de futebol que terá lugar no Brasil, país para o qual a companhia portuguesa lidera as ligações a partir da Europa.

Menos Dívida, Mais Lucros:

No ano passado, a TAP SA, que inclui o negócio de aviação e manutenção em Portugal, conseguiu reduzir a sua dívida líquida de 791 para 585 milhões de euros e, ainda assim, aumentar os seus lucros para 34 milhões de euros.

Aumento dos Destinos e da Frota:

Os 10 novos destinos anunciados pelo CEO Fernando Pinto na sua mensagem de natal (Belgrado, Gotemburgo, Hanover, Nantes, São Petersburgo, Tallin, Bogotá, Belém, Manaus e Panamá) e o reforço de capacidade para alguns dos atuais destinos (como o aumento de capacidade de 15% previsto para Espanha) serão conseguidos com o crescimento da frota em seis aeronaves: dois A319 e dois A320 (para operações de curta e média distância) e dois A330 (para o longo-curso).

Contratação de 600 Trabalhadores:

Para fazer face ao desígnio de crescimento da empresa, a TAP irá contratar um total de 600 novos trabalhadores durante este ano. 500 irão preencher novos postos de trabalho e 100 virão substituir trabalhadores que deixaram a empresa. Dos contratados, 75% será pessoal de voo e 25% pessoal de terra, incluindo técnicos de manutenção, engenheiros e pessoal de vendas.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Novidades na Autoeuropa

A fábrica da Autoeuropa (Volkswagen Portugal) recebeu a garantia que irá produzir um novo modelo da marca alemã, embora ainda não se saiba qual será. Esta garantia permitirá manter todos os postos de trabalho da empresa e vem na sequência de ter sido apresentado recentemente o novo VW Scirocco, que, apesar de ter uma plataforma diferente da versão anterior, também será produzido na fábrica de Palmela.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Nova Lei Eleitoral: Precisa-se!

Diga-se, pense-se e acredite-se no que se acreditar, não duvido que há um crescente número de cidadãos a questionar o sistema democrático em que vivemos, mais do que o governo A ou B, ou o partido C ou D.
Há um sentimento geral de descrença e desconfiança de e para com o Estado que atinge os pilares fundamentais do regime instituído na sequência do 25 de abril de 1974, que não se extingue na assembleia da república e afeta a presidência da república e, de forma particularmente pungente, o sistema judicial.

Este sentimento não surgiu com esta crise, e não desaparecerá com ela. Ouso dizer que os sistemas políticos que não se auto-reformam, contribuem de forma acelerada para o seu próprio fim. A história mundial é pródiga em exemplos destes. Parece-me haver uma área, da qual depende tudo o resto, que merece a atenção dos agentes políticos, por muito que seja difícil. Chama-se lei eleitoral e é, em grande medida, a responsável pelo grau de indigência e mediocridade a que a política nacional (e local) chegou. Pensando nas legislativas:

  1. Não faz sentido votar em partidos, mas sim em pessoas (que estejam, por sua vez, agrupadas em partidos), nomeadamente na assembleia da república. Pessoas que pensem pela sua própria cabeça. Cada cidadão votaria no seu próprio deputado e escrutinaria o seu desempenho e os partidos teriam de escolher os melhores para as suas fileiras em vez dos fiéis seguidores do líder que são invariavelmente eleitos porque atualmente se vota no partido/líder, e se desconhecem todos, ou quase, os restantes elementos das listas;
  2. A disciplina de voto deve ser liminarmente proibida pois é altamente antidemocrática. Na assembleia, atualmente, chegaria termos 6 deputados (1 por cada partido, cujo voto valeria tanto quanto a fração de votos do seu partido). Para quê ter lá fantoches? Se pagamos a 230 deputados, que usufruamos deles;
  3. O método para distribuição dos deputados pelos círculos é sobremaneira antidemocrático:
    • Se houvesse partidos suficientes, o partido mais votado podia ser aquele com menor representação parlamentar, ou mesmo nenhuma. Pensemos no círculo de Beja, que elege 3 deputados - com frequência PS (1), CDU (1) e PSD (1), sendo os demais votos, CDS e BE, entre outros, absolutamente irrelevantes. Porque é que há votos desperdiçados?;
    • O número de deputados por círculo (distritos, no Continente) não pode ser inferior a 2 (caso de Portalegre), mesmo que lá viva quase ninguém e a abstenção seja obscena. Isto não faz sentido. Porque é que os votos de cidadãos de alguns distritos (e.g. Guarda, Beja ou Bragança) têm de  valer mais que os votos de um cidadãos de outros distritos (e.g. Porto, Braga ou Lisboa) ?  Isto respeita a Constituição!?;
  4. Acabe-se com os círculos distritais e crie-se um círculo nacional - passando todos os votos a contar o mesmo a nível nacional, quer o cidadão viva na ilha do Corvo, em Faro, Coimbra ou Bragança - e, já agora, sem qualquer círculo para emigrantes pois quem deve votar é quem cá está e quem mais sofre com as escolhas governativas. Caso se apure que esta situação do círculo único é perigosa para a representatividade territorial, pode procurar-se uma solução menos drástica, como o criar meia dúzia de círculos a nível nacional, mas será sempre uma solução menos democrática que a proposta.
Parece-me que os líderes partidários que temos são demasiado fracos para assumir esta necessária rotura. Não sei quando a reforma poderá vir a debate e andar para a frente mas a sociedade civil deve dar o seu melhor para que esta discussão tenha o seu início.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Eu e os Meus Amigos

Pode ser ingenuidade minha, mas parece-me que um dos maiores defeitos dos portugueses se mistura e confunde com uma das suas maiores virtudes. Falo da corrupção e da simpatia.

Os portugueses são reconhecidamente simpáticos, abertos, hospitaleiros e muito amigos do seu amigo. Contudo, o famoso «chico-espertismo» - forma simpática de classificar corruptos e oportunistas  - aí está. Como é que somos tão boas pessoas e há tantos chicos-espertos!? Somos levados a concluir que estes dois conjuntos se intersectam, e, provavelmente, muito mais do que seria de esperar à primeira vista.

Todos queremos o melhor para nós mesmos, os nossos familiares, amigos e conhecidos. "Todos" fazemos tudo o que está ao nosso alcance para os (e nos) ajudar e beneficiar, independentemente do "resto". Ora o resto, são outros cidadãos.

Alguns exemplos clássicos daquilo que estou a falar:
  • Fuga ao fisco das famílias e das empresas;
  • Contratar familiares e amigos para empresas nossas (independentemente de serem ou não os melhores candidatos);
  • Contratar serviços a empresas "amigas", nomeadamente na esfera do Estado (contribuindo para a perversão do sistema);
  • Ser-se desleixado no que diz respeito às despesas do Estado ou da própria empresa («o Estado paga!» e depois ninguém sabe porque temos os impostos que temos, ou, «É a empresa paga...» e depois são despedidos e não sabem porquê);
  • Passar à frente numa fila (nas Finanças ou na estrada);
  • Favorecer (ou procurar ser favorecido) de qualquer outro modo amigos ou familiares sem uma justificação outra que não a emocional.
É "bestial" fugir ao fisco, pagar uma obra ou serviço sem IVA (poupando 23% do custo total). Mas é bestial, leram bem!? A palavra mãe é BESTA. Ao fazer isto estamos a roubar - muito literalmente - cerca de 10.5 milhões de portugueses. Atitudes destas são um terrível fenómeno de desagregação social em que cada um se desculpa com as falhas do vizinho, o que resulta numa espiral extremamente funesta.

O programa e-fatura posto em marcha em 2013 para combater fugas ao fisco em certas e determinadas atividades, mais propícias a esta vigarice merece um elogio, só é triste ser necessário. Estima-se que mais de 20% da economia seja não taxada. Se isto for efetivamente verdade e conseguirmos acabar com isto, teremos um estrondoso superavit das contas públicas nacionais e poderemos baixar os elevadíssimos impostos que temos. Vamos acabar com isto e pedir faturas. Todos temos que pagar, não podem ser só alguns!

Todos falamos muito destas "pequenas" fugas à legalidade, mas (quase) todos as praticamos. Vamos ter vergonha na cara e deixar de criticar os governantes por lesarem o Estado em milhões se tivermos comportamentos idênticos. Segundo estimativas recentes falamos de mais de 12 mil milhões de euros perdidos em coleta fiscal, o que seria suficiente para construir 4 novos aeroportos em Lisboa (com 4 pistas) todos os anos.

Vamos perceber que ao beneficiarmos 1 pessoa, estamos a prejudicar milhões e a promover um sistema do qual, invariavelmente nos queixamos. Ajudar um amigo ou familiar nestas circunstâncias não é ser simpático, é ser vigarista...
Denunciem-se as PPP altamente lesivas para o Estado, prendendo os responsáveis e combata-se a evasão fiscal a sério e temos os problemas financeiros resolvidos por muitos anos! A revolução começa dentro de cada um de nós. Eu acredito.


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Referendos

Primeiro a regionalização, depois o aborto - repetido até dar o resultado que interessava a alguém, agora a adoção de crianças por homossexuais.

Nesta democracia só cabe ao povo decidir aquilo que não interessa - ou interessa realmente a muito poucos. Tanto mais que me parece uma falsa questão, pois, se alguém sozinho pode adotar, um(a) homossexual só não o faz se não quiser. Mais - quem somos nós, ou o Estado, para achar que um par de homossexuais não tem direito a adotar? A Constituição não estabelece que somos todos iguais? Será melhor andarem a ser maltratados e abusados em instituições de caridade!?

Quando toca a decidir sobre assuntos que realmente merecem toda a atenção, porque dizem respeito a todos, já não há referendos - «livra»! Em suma, somos chamados a decidir sobre a vida dos outros, mas não podemos decidir sobre aquilo que mais diretamente diz respeito à nossa, o que é, no mínimo, sui generis e pouco-democrático.

Ora, será mais importante discutirmos e darmos voz ao povo em assuntos que dizem realmente respeito a todos, nomeadamente no que diz respeito à destruição do erário que temos assistido com as privatizações. A REN, EDP, ANA, Águas, TAP, CP Carga, ENVC, CTT, etc é que são de todos nós e nos dizem respeito a todos.

Privatizar (ou concessionar) em tempo de crise é, na opinião do autor, bem entendido, errado - e não se trata de um argumento ideológico. As empresas que dão prejuízo não se conseguem privatizar e as que dão lucro, ou têm grande potencial, fazem com que o Estado (ergo, todos nós) percamos (muito) dinheiro a médio prazo, para além do controlo sobre setores chaves da economia como são as energias, águas, transportes e comunicações. Acresce que privatizar monopólios deveria ser liminarmente proibido.

domingo, 15 de dezembro de 2013

TAP anuncia 10 novos destinos para 2014

Na mensagem de natal e ano novo, o Presidente da companhia aérea portuguesa TAP Portugal anunciou em 1ª mão as novidades que a empresa introduzirá no mercado, revelando um aumento da frota em 6 aeronaves (2 A330-200 para operações de longo-curso e 4 aeronaves da família A320 para ligações de médio-curso) e um aumento muito significativo do número dos destinos servidos, nomeadamente:

  1. Belgrado (Sérvia);
  2. Gotemburgo (Suécia);
  3. Hannover (Alemanha);
  4. Nantes (França);
  5. São Petesburgo (Rússia);
  6. Tallin (Estónia);
  7. Belém (Brasil);
  8. Manaus (Brasil);
  9. Bogotá (Colômbia);
  10. Panamá (Panamá).

Para além destes voos, haverá um reforço das frequências para alguns dos destinos da TAP. O hub de Lisboa ganha força e o grupo TAP dinamiza a sua operação aumentando em 180.000 o número de lugares disponíveis em 2014, face ao ano corrente. Esperemos que a privatização não estrague este impressionante trabalho da companhia nacional.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Geopolítica Peninsular

O PROBLEMA:

O aumento de tensão e dos atritos entre Madrid e a Catalunha tem sido cada vez mais evidente nos últimos anos. A possibilidade da Comunidade Autónoma espanhola se tornar independente é hoje mais plausível que nunca e Portugal não pode, não deve e não terá nada a ganhar em colocar-se à margem desta discussão. A geopolítica peninsular e as repercussões económicas que isto possa ter são demasiado importantes. Devemos ser moderados e não meter a mão em seara alheia, mas não podemos ser neutrais.

Procuremos não ser românticos nesta análise e ser racionais ao ponto de percebermos com o que temos mais a ganhar. A possível independência da Catalunha irá enfraquecer significativamente a Espanha, quer económica, quer politicamente, o que reforçará o peso relativo de Portugal no contexto peninsular. Este enfraquecimento poderá ser ainda mais crítico se o precedente aberto na Catalunha for aproveitado por outras regiões para reivindicarem a sua independência (e.g. País-Basco). Ninguém sabe exatamente como é que esta disputa irá acabar, se acabar, claro, mas Portugal, enquanto nação soberana deve discutir internamente este assunto e preparar-se para essa eventualidade.

A POSIÇÃO PORTUGUESA:

Não parece razoável optar pela cumplicidade para com a causa Catalã. A nossa relação económica e política com Espanha é demasiado importante e necessária para que possamos descurar dela. Lembro que, para além de mais de 20% das nossas exportações terem Espanha como destino, o território espanhol é a nossa única via de comunicação terrestre para com a Europa - para onde parte larga maioria das nossas exportações por via rodoviária e, no futuro, se os nossos políticos abrirem os olhos, também por via ferroviária.

Se a Catalunha não se tornar independente, teremos estado do lado certo da história. Se, pelo contrário, conseguir a independência, Portugal estaria em condições de beneficiar, em primeira mão, da quebra dos fortíssimos laços económicos entre Espanha e a Catalunha que previsivelmente sofrerão um forte abalo, e ficaria com uma relação reforçada com aquele que continuaria a ser o maior país ibérico, dos pontos de vista geográfico, demográfico e económico.

ASSUNTOS PENDENTES:

Fui há oito anos atrás que o Primeiro-Ministro português proclamou ter três prioridades: «Espanha, Espanha e Espanha». Palavras vãs! Já antes se tinham assinado acordos com Espanha para TGV, várias linhas e todas a pensar em passageiros. O seu governo manteve algumas, os espanhóis acreditaram e estão a construir a linha Madrid-Badajoz (que não tem qualquer sentido sem ligação a Lisboa).

Mais cedo que tarde notarão que aqui não fizemos a ligação Lisboa-Caia e perceberão que não podem confiar em Portugal. Mais cedo que tarde a nossa economia vai precisar (ainda mais) duma ligação à Europa em bitola europeia para mercadorias (linha Aveiro-Salamanca). Mais cedo que tarde os espanhóis vão expressar o seu desinteresse em ligar a fronteira portuguesa a Valladolid (donde haverá ligação a França). Se forem simpáticos deixam-nos ir construir os 230km de linha do seu lado da fronteira, se não forem, teremos de exportar do norte de Portugal para a Europa via Lisboa e Madrid ou por via rodoviária o que tolherá definitivamente a competitividade do nosso setor exportador, com fortíssima presença no litoral centro e norte de Portugal.

Os espanhóis não são nenhuns santos, mas nós portugueses temos que perceber que dependemos muito mais deles do que eles de nós. Isto não significa rebaixar-nos, mas sim sermos firmes, ponderados, ativos e sobretudo, sermos um parceiro previsível e fiável.

Isto, para não falar das disputas de Olivença e das Ilhas Selvagens. Tanta diplomacia e amizade e não se resolvem estes assuntos!? Fica a ideia que os nossos políticos só sabem fazer de "papel de embrulho" sendo iincapazes de fazer escolhas e tomar posições em defesa da República.


quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O Lado BOM da Crise

Fica difícil ver virtudes numa crise, financeira, económica, social e de valores como aquela que penosamente atravessamos. Apetece dizer que é como as bruxas: «Ninguém as vê, mas que as há, lá isso há!».

As pessoas estão mais fragilizadas e expostas a dificuldades e, no fim das contas, acabam por ser mais humildes, genuínas, trabalhadoras, e, sobretudo mais unidas e solidárias. Dá-se mais valor às pequenas coisas da vida, e, sobretudo, dá-se mais valor ao «ser» do que ao «ter».

O valor da família tão tido como um valor do passado está de volta: casais de meia-idade apoiam os idosos que não podem pagar as rendas que têm sido atualizadas e/ou que tiveram cortes nas reformas, e milhares de reformados apoiam os filhos e netos em dificuldades (desempregados ou não). A unidade familiar tem sido reforçada e o movimento intergeracional de solidariedade que se organizou mostrou que ainda partilhamos grandes virtudes com o Portugal dos anos 70 do século XX, que conseguiu receber perto de um milhão de retornados durante o movimento de descolonização da África Portuguesa.
Os empresários perceberam que não podem estar à espera do Estado ou da procura interna e começaram efetivamente a mexer-se no mercado das exportações e da internacionalização.

A «geração à rasca», a mais mimada e consumista e a que lutou menos para ter acesso a todas as comodidades de que beneficia, que é também a mais formada de sempre viu as suas expectativas de futuro goradas, mas não desistiu: uns emigraram, outros ficaram, mas poucos esqueceram Portugal e contribuem ativamente para um futuro melhor do país. Oxalá se criem condições para muitos regressarem - assim eles queiram.

Não queiramos ser irlandeses, alemães, franceses ou nórdicos. Temos uma cultura de muitos séculos alicerçada em profundos sentimentos de humanidade para com o próximo - fomos os primeiros a abolir a «Pena de Morte» e abolimos a escravatura mais de um século antes dos EUA. Sejamos Portugal, sejamos portugueses! Já cantava Amália no século XX:

Lisboa não sejas francesa
Com toda a certeza
Não vais ser feliz
(...)
Lisboa, não sejas francesa
Tu és portuguesa
Tu és só para nós

Ainda a propósito, apraz-me citar um excerto d'«A Casa Portuguesa»:

A alegria da pobreza está nesta grande riqueza de dar, e ficar contente!

Importa por fim referir que não defendo a resignação à pobreza, senão a adesão à realidade e fazer-nos refletir sobre as virtudes da crise para que possamos fazer delas força para vencer as presentes dificuldades.

Despeço-me com amizade.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Ideias Subversivas: Velhos do Restelo

A maneira de fazer política está velha. Todos o dizem mas todos o praticam. Chegámos ao século XXI e muito provavelmente os meios de comunicação mudaram muito mais na última década do que nos 40 anos anteriores. Contudo, quando vemos os políticos a fazer política lembramo-nos da velha expressão: “Parecem os velhos do Restelo”. Ora,
  • Colocam cartazes com frases de três palavras que tentam convencer uma população de que têm a melhor estratégia para a sua aldeia. 
  • Tiram uma fotografia com uma superstar-política para parecerem mais importantes e que têm influências suficientes para levar as suas pretenções o mais avante.
  • Correm as ruas da sua aldeia em carros com megafones a emitir sons impercetíveis num claro desrespeito pela lei do ruido.
  • Entregam panfletos nos quais não apresentam propostas fundamentadas e estratégias, mas sim os desejos de qualquer cidadão com dois dedos de testa.
  • As supostas propostas são iguais para todos os partidos e os quais se resumem a: proteger os idosos (porque são a maioria da população neste momento), tapar os buracos da estrada, pintar as passadeiras entre outras ideias (talvez esteja a ser simpático utilizar a palavra “ideia”) que nem sequer deviam ser sugeridas porque fazem parte de qualquer autarca em funções.
Chegamos então ao ponto em que vivemos no século XXI em que os portugueses estão cansados dos partidos políticos e por mera culpa destes. Estão velhos, estragados, sem ideias. Continuam a prometer o que sabem que nunca vão cumprir. Continuam a pensar que os cidadãos vivem no mesmo séculos que eles. Estão errados.

Talvez uma nova maneira de fazer política esteja a chegar. Tem de chegar. Rui Moreira ganhou no Porto. Será diferente? Será desta a mudança? Logo se verá. Talvez ainda venha outra. Senão os votos nulos, brancos e abstenção vão continuar a bater recordes como aconteceu este ano.
 
Dinis Lopes
 
 

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Os 4% de défice e a Alternativa

Porquê mais cortes?

Cortar os 4 mil milhões de euros que o triunvirato parece exigir para o ano e o Governo parece querer, faz-nos crer que querem matar a retoma económica antes mesmo dela nascer. Parece hediondo, inaceitável, injusto e incompreensível. Parece, e é! Mas afinal, porquê mais austeridade!?
A resposta é paradoxalmente simples: o Estado ainda não cortou o suficiente. Em 2011, gastava anualmente cerca de 20 mil milhões de euros a mais do que recolhia em impostos. Hoje, esse número cifra-se ainda acima dos 7 mil milhões de euros.
Aumentaram-se impostos, cortaram-se salários, reduziram-se despesas sociais num momento económico dramático. Os portugueses aceitaram de forma quase incrível, a economia ajustou-se de modo exemplar em dois anos com um excedente na balança externa como não se via há mais de 60 anos, com os resultados das exportações a superar as melhores expetativas e o fim da recessão a chegar. Conseguimos dar a volta e o Estado ... continua a arrastar-nos para o fundo. O Governo empurrou com a barriga para a frente, e agora que se lembrou - ou lhe impuseram lembrar-se - a Constituição não o permite reformar (e ainda bem, dirão alguns!). Em suma, o Governo falhou no mais importante - a gestão de expectativas dos cidadãos.

Défice de 4%:

Alvitra-se que o défice orçamental de 4% no próximo ano é muito exigente e inatingível, mas o triunvirato parece não querer saber e manter a sua exigência.
Há erros do Programa de Ajustamento? Há. Há uma gestão punitiva e insensível no seio da UE e encabeçada pela Alemanha? Há. Há imoralidade e especulação dos mercados financeiros? Há. Tudo isto é verdade, mas de pouco ou nada nos serve discutir estes assuntos, como ainda nesta 2ª feira afirmava o Prof. João César das Neves na televisão. Nada disto depende de nós.
Preocupemo-nos com o que está ao nosso alcance e discutamos aquilo em que podemos efetivamente intervir. Olhemos para as rendas do setor energético, denunciemos as parcerias público-privadas e as rendas obscenas que garantem aos privados, forcemos a banca nacional a financiar a economia a juros aceitáveis (uma vez que é financiada pelo BCE a juros baixos) e lutemos junto do BCE para que os critérios para os rácios de capital dos nossos bancos não sejam mais exigentes do que os demais. Trabalhemos por ir buscar todo o dinheiro da grande fraude do BPN e afins, (só com o dinheiro do BPN, se se verificarem as piores expectativas, pagavam-se 2 aeroportos novos em Alcochete!). Procuremos julgar os ex-governantes responsáveis pela atual situação por «gestão danosa». Os crimes julgam-se no banco dos réus e não nas eleições. O que fizeram ao país nos últimos 20 anos é, em muitos casos, crime.


Há Alternativas

Não pagar parece uma solução fácil, seria um défice orçamental de 0% já no próximo ano, ou seja, um corte superior a 7 mil milhões de euros - que nem seria o pior, já que não teríamos encargos com a dívida - mas que seria seguido da saída do Euro - que o Prof. João Ferreira do Amaral advoga há já dois anos ser a única solução para a nossa economia moribunda - uma provável saída da UE, com perda de fundos estruturais e de incontáveis perdas económicas, e ainda, incalculáveis danos para a imagem externa de Portugal - do Estado, das empresas e das famílias por tempo indeterminado.
E isto tudo, numa economia que desde há muitos séculos - está no nosso ADN - se habituou a depender do exterior, primeiro das conquistas territoriais na península, a seguir das colónias ultramarinas, depois da Comunidade Económica Europeia e, mais recentemente, da União Europeia e do endividamento externo (A Dama de Ferro não errou, em 2009, quando nos alertou!). O povo não quis ouvir, e o senhor cujo nome não merece ser referido, continuou a liderar a nossa marcha triunfal rumo ao precipício.

A situação é séria e TODAS as alternativas devem ser discutidas e colocadas sobre a mesa, mas é preciso entende-las muito bem e explicá-las ainda melhor. Se não conseguirmos encontrar soluções abrangentes e se os partidos, patrões e sindicatos continuarem a brincar às democracias, que ninguém se admire se aparecer aí - perdoem-me o pleonasmo - um novo «Estado Novo». 

Vamos dar as mãos, compreender que todos temos muito a perder se as coisas correrem mal, e procurar mandatar alguém para nos representar, cá dentro e lá fora, que, por uma vez, possa corporizar a força de uma nação e dar significado aos versos de Fernando Pessoa n'«O Mostrengo»:

  "(...) Aqui do leme sou mais do que eu; 
Sou um Povo que quer o mar que é teu (...)".

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Alexandre Soares dos Santos deixa presidência da Jerónimo Martins

Alexandre Soares dos Santos anunciou hoje a saída do Conselho de Administração da Jerónimo Martins. Após 56 anos de trabalho e aos 79 anos, Alexandre Soares dos Santos decidiu afastar-se da liderança do grupo que é hoje uma multinacional com mais de 60 mil colaboradores, principalmente em Portugal e na Polónia, mas também na Colômbia.

Numa vida cheia e com um percurso ímpar, uma carreira de gestor que passou pela Alemanha e pela Irlanda, Soares dos Santos mostrou ser um homem trabalhador, sério, sincero e por vezes, muito crítico da política e dos políticos nacionais. Sendo um dos homens mais ricos de Portugal, sempre revelou uma humanidade pouco comum entre os senhores do grande capital.

Nunca escondeu os erros cometidos pela empresa durante a sua liderança, como o fracasso do investimento no Brasil, nem evita sublinhar o valor da equipa com que trabalhou e conseguiu resultados muito bons nos últimos anos, em Portugal (com as lojas Pingo Doce), mas sobretudo na Polónia, onde detém o maior grupo retalhista local (Biedronka) e contribui muito ativamente para a exportação de produtos portugueses para a única economia da UE que não entrou em recessão durante a última crise financeira.
Despede-se com a seguinte frase: "Dediquei ao grupo Jerónimo Martins o melhor do meu conhecimento e das minhas capacidades e não escondo o orgulho que sinto com o que fomos capazes de construir".

Um grande bem-haja pelo seu esforço e pelos empregos que direta e indiretamente dependem do seu trabalho e pelas gerações de gestores e empreendedores que continua a inspirar.


quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Investimento nos portos de Faro e Portimão

O terminal de cruzeiros do porto de Portimão vai receber investimentos significativos. De igual modo, o porto da capital algarvia, que tem registado um crescimento muito forte no ano corrente, dando o seu pequeno contributo para as exportações nacionais, será alvo de melhoramentos.
Ambos os portos foram recentemente integrados na Administração do Porto de Sines.

Em Portimão, em abril deste ano, estimava-se um movimento de 35 mil passageiros em 55 escalas de cruzeiros e a expansão do negócio está dependente de obras de dragagem do rio Arade.

No cais comercial do porto de Faro, a partir de onde é exportado o cimento produzido na fábrica da CIMPOR em Loulé, será alvo de melhoramentos com vista a facilitar e tornar mais expedito o processo de movimentação de mercadorias.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Lisboa, Madrid e... Barcelona

LISBOA

No ano de 2012 os números foram claros, o aeroporto de Lisboa cresceu acima da média e conseguiu, num cenário de recessão profunda da economia nacional e de recessão na Zona Euro um crescimento pouco comum de 3.5% no número de passageiros. A abertura da base da EasyJet e a abertura de novas rotas (e.g. Dubai) ajudaram, mas foi sobretudo graças ao grande crescimento da TAP que se conseguiram estes resultados. O Hub de Lisboa existe graças à TAP e o sucesso do aeroporto da capital portuguesa no transbordo de passageiros em trânsito entre os continentes americano e africano e o continente europeu tem sido evidente. Os excelentes resultados de recentes rotas da TAP como Dakar (no Senegal), Bamako (no Mali), Miami (nos EUA), Viena (na Áustria), Porto Alegre (no Brasil), Manchester (em Inglaterra) e Bucareste (na Roménia) em muito contribuiram e foram conseguidos com um grande esforço de melhoria da produtividade, já que a frota de 71 aeronaves da TAP (55 da TAP, 14 da PGA e 2 da PGA Express) se mantém inalterada desde 2009.

MADRID

O principal aeroporto que compete com Lisboa é naturalmente o da capital espanhola, desde logo pela sua proximidade geográfica, mas sobretudo pela sua dimensão - demográfica e económica. O aeroporto de Madrid-Barajas teve a maior queda a nível europeu entre os grandes aeroportos em 2012, com um estrondoso decréscimo de 9.0% no número de passageiros. Estes números encontram justificação na crise económica que também afeta o país vizinho, mas sobretudo nos esforços de racionalização da Iberia que viu o grupo IAG (do qual faz parte, juntamente com a British Airways e a Vueling) obrigá-la a fechar um número significativo de rotas não-lucrativas, reduzir a sua frota e despedir um número record de funcionários e no fecho da base da EasyJet (e com ela dum elevado número de rotas) devido ao aumento das taxas. Já na primeira metade deste ano, os resultados não se inverteram e as quedas estão agora acima dos 10.0% face ao período homólogo.

BARCELONA

A capital da Catalunha, que, se fosse um país independente, seria o 4º mais rico (per capita) da União Europeia projeta-se como um destino turístico de eleição dentro e fora da Europa e a resiliência da sua economia face ao resto de Espanha está bem patente no crescimento continuado do seu aeroporto, pese embora a crise económica. O aeroporto de El Prat conseguiu reagir de forma muito boa ao fechar de portas da companhia aérea Spanair (baseada em Barcelona) em janeiro de 2012 e conseguiu um crescimento de 2.2% no número de passageiros face a 2011, crescimento que se tem confirmado no presente ano, sobretudo sustentado pela Vueling (subsidiária do IAG, juntamente com a British Airways e a Iberia) e pelo grande número de companhias estrangeiras que a elegem como destino. Dados recentes, indicam que, pela 1ª vez na história Barcelona foi mais visitada que Madrid e na última semana, Madrid perdeu, pela terceira ocasião consecutiva, a nomeação para cidade organizadora dos Jogos Olímpicos (que Barcelona organizou em 1992).

Rank
2012
CountryAirportCityPassengers
2011
Passengers
2012
Change
2011-2012
...





5 SpainMadrid–Barajas AirportMadrid49,671,270[6]45,195,014[6]Decrease9.0%
...





9 SpainBarcelona El Prat AirportBarcelona34,398,226[6]35,145,176[6]Increase2.2%
...





28 PortugalLisbon Portela AirportLisbon14,805,624[20]15,301,176[21]Increase3.5%
...





Fonte: Wikipedia

A estratégia espanhola de fazer de Madrid uma capital central no contexto ibérico, a nível económico, demográfico e das vias de comunicação, particularmente bem sucedida nas últimas décadas, está a sofrer um forte revés nesta crise, agravado com a pujança relativa que se vê nas outras duas grandes metrópoles peninsulares.

Em Portugal, devemos procurar reforçar o crescimento de Lisboa - a medida da nossa periferia é inversamente proporcional à conetividade e o transporte aéreo é crítico. Um grande aeroporto é uma via aberta para o crescimento económico. As taxas aeroportuárias cresceram 4.4% em Lisboa e mais subirão com a concessão aos franceses da Vinci (conforme previsto no respetivo contrato). Em Madrid, a AENA duplicou as taxas e o efeito está bem patente. Esperemos que o contrato celebrado entre o Estado Português e a Vinci não padeça dos mesmos erros.
Os nossos governantes têm de perceber que excecionar determinadas áreas aos sacrifícios (ou moderar os seus efeitos), embora possa ter custos políticos no curto prazo, pode ser crucial para sairmos da crise económica, mas, como em tudo, há que saber distinguir o «trigo do joio»!

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Linguagem binária

Vivemos tempos difíceis: crise, desemprego, recessão e dívida são as palavras de ordem.

A economia esvai-se, a democracia treme e a conflitualidade e crispação da sociedade não para de crescer. Isso vê-se em todo o lado, nas manifestações, nas greves, nos transportes, no trânsito, etc. Os media não falam de outra coisa que não das «desgraças» que assolam o país, fomentando o debate, o choque e as divisões.

Aquele que é provavelmente o Estado-Nação mais antigo da mundo está hoje multipolarizado por divisões cada vez mais profundas e que ameaçam fazer tremer os pilares deste povo que foi percussor do movimento de globalização, como tão habilmente os professores Tesseleno Devezas e Jorge Rodrigues ilustraram no seu livro «Pioneers of Globalization: Why the Portuguese Surprised the World», onde provam à saciedade a influência dos portugueses neste processo sem recorrer a argumentos subjetivos ou românticos, mas sim, à mais pura das ciências - a Matemática!

As grandes divisões não são já hoje de ordem sexual ou de raça, mas entre velhos e novos, empregados e desempregados, ricos e pobres, qualificados e não qualificados, funcionários públicos e privados, esquerda e direita, sindicatos e patrões, litoral e interior, grandes centros e província, norte e sul, continente e ilhas, etc. Em linguagem binária, só as 11 antíteses apresentadas seriam 2^11=2048 combinações - (em informática seriam 2GB de divisões!).

Vivemos em democracia e devemos lutar todos os dias por preservá-la a todo o custo, mas não podemos utilizá-la como pretexto para desagregar uma das nações mais homogéneas do mundo, pois aí reside a nossa grande vantagem competitiva face à maioria dos outros povos. Nós somos os Portugueses, não somos melhores nem piores que os demais (como muitos gostam de discutir), mas se o somos há mais de 800 anos, é porque não somos um povo qualquer!

O mundo vive tempos de grande incerteza e que não se pense que as guerras militares terminaram e agora é só guerra económica. Temos de estar mais unidos que nunca porque esse conflito pode surgir em qualquer lugar e ter consequências devastadoras. E claro, não serão os outros que nos virão defender.

União não é unanimismo! - união é coesão relativamente ao essencial, respeito pelas instituições e pela democracia, respeito à greve (por parte de patrões, ao a aceitarem, e por parte de empregados, ao não a banalizarem), em suma, respeito ao próximo. Procurar compromissos, negociar e flexibilizar é o que se exige  aos governantes e ao povo para que todos juntos, mais cedo que tarde, demos a volta à famigerada crise.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Ideias Subversivas: Vassalagem aos EUA

O incidente com o avião do presidente boliviano na passada semana poderá ter passado um pouco despercebido devido às frenéticas notícias sobre a demissão de ministros. Infelizmente, deixou-se passar entre a população portuguesa, mas não entre toda a população da América Latina, um dos incidentes mais graves a nível diplomático, que terá consequências graves para Portugal por um período indeterminado.

A proibição do sobrevoo/aterragem do avião do presidente Evo Morales em Portugal demonstra a grande vassalagem a que nós, assim como os outros países europeus, prestamos aos EUA. Sem discussão, sem qualquer prova ou facto, os americanos tomaram essa decisão soberana e portuguesa. Para além de ainda hoje ter sido visível em noticiários televisivos a queima da bandeira portuguesa nas ruas da Bolívia, a sua população olha cada vez mais, e com grande razão, para a nossa americanização, mesmo após ter estalado o grande escândalo do Prism (Edward Snowden).

Continuamos a não ter um espírito crítico, e a não depender de nós próprios para tomar decisões que apenas a nós nos compete. O bem e o mal não são termos padronizados pelos EUA. São definições relativas dependendo de cada sociedade, e a nossa relatividade passou a totalitária.

As perdas não serão apenas económicas. As perdas serão também em termos de relações bilaterais sociais (e.g., seremos olhados de lado quando visitarmos a Bolívia). E acima de tudo, deixamos de ser uma nação “amiga”. Pode não parecer importante, mas em toda a América Latina reina a união e o espírito de entreajuda: quando um está mal, correm todos para ajudar. Basta ter visto a reacção proteccionista e solidária por parte de muitos outros países da América do Sul, algo que nunca se verificaria, nos dias de hoje, entre os países europeus.

Só temos a aprender com a outra verdadeira América.

Dinis Lopes

PS: Mesmo com a tentativa de desmentir o sucedido do ex-ministro, ministro e vice-primeiro-ministro Paulo Portas, o mal está feito. A mensagem foi passada.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Expectante

Saudações,

Com o intuito de tentar desmistificar algumas convicções demasiado enraizadas nas almas dos meus compatriotas, aqui me dirigo apenas com comentários.

Todo o esforço financeiro que os Portugueses têm feito nos últimos dois anos reflectiu-se única e exclusivamente nos bolsos gananciosos da banca privada nacional e dos credores.

A solução para os problemas financeiros de Portugal não passa por mais austeridade. Toda a gente já sabe (ainda que não queira reconhecer tal verdade) que a actual crise não se deve ao "peso" do Estado Social, mas sim à corrupta acumulação de riqueza em meia-dúzia de mãos. A resposta deve, pois, ser uma política de redestribuição da riqueza existente a nível nacional. Direi mesmo mais, esta mesma lógica deve ser exactamente aplicada a nível europeu, pois a realidade é perfeitamente extrapolável.

Quantos aos episódios dos dois últimos dias, apenas algumas palavras.
Esta sequência de acontecimentos vem apenas confirmar que vale SEMPRE a pena protestar, manifestar-se e lutar por uma DEMOCRACIA mais verdadeira e transparente, e pelos DIREITOS do POVO.
Esta sequência de acontecimentos vem confirmar que a opinião pública, a voz do POVO, é a voz última de uma NAÇÃO.

Vivemos tempos de mudança acelerada.
Não são tempos para tristezas, antes para estar alerta, pronto a agir.


Sempre expectante,

The Rover

domingo, 16 de junho de 2013

Ideias Subversivas: “Amanhã tenho Exame”

Carta aberta:

“Amanhã, dia 17 de Junho de 2013, tenho exame nacional. Ambiciono entrar na faculdade e tirar um curso superior, e a média é fundamental para o acesso, contando 50% da nota de entrada. Hoje, véspera do exame, ainda não sei se o vou poder realizar. Os exames nacionais estão marcados há meses e nas últimas semanas foi marcada uma greve dos professores, a qual já me prejudicou ao ponto de não saber ainda a nota de duas disciplinas às quais vou fazer exame nacional.

Os professores têm direito a fazer greve? Sim. Têm razões para isso? Sem dúvida. Têm o direito de destruir um ano de trabalho dos estudantes, que culmina agora nos exames nacionais de 12º ano? Não.

Eu nunca trabalhei, nunca pude contribuir para este país e mesmo antes de o poder fazer sou prejudicado por quem mais diz que se preocupa com os meus “direitos e bem estar”. Não se trata do direito à greve, mas sim de egoísmo e falta de bom senso. Não é um dia em que os transportes públicos fazem greve e as pessoas chegam mais tarde. É todo um ano de trabalho que agora termina e que pode não vir a colocar todos os alunos no mesmo nível.

E neste momento, no qual precisava do maior apoio dos meus professores, são eles que me abandonam e recusam pensar noutras formas de luta que não prejudiquem os estudantes, isentos de qualquer responsabilidade no estado actual do país.

Amanhã não sei como será.

Estudante

Dinis Lopes